Tipos de fertilizante para plantação de couve

 Tive a honra de participar deste projeto. Aprovado com louvor.

1 INTRODUÇÃO

 

A couve (Brassica oleracea var. acephala) é uma hortaliça amplamente cultivada no Brasil, destacando-se não apenas por sua relevância na alimentação, mas também por seu elevado valor nutricional, sendo uma fonte rica de fibras, vitaminas e minerais essenciais. Originária da região litorânea do Mediterrâneo, esta planta demonstra excelente adaptabilidade ao clima brasileiro, e seu ciclo curto e sua crescente demanda de mercado, permite seu cultivo durante grande parte do ano.

A couve (Brassica oleracea var. acephala), uma hortaliça de grande importância nutricional e econômica amplamente cultivada no Brasil, apresenta-se como uma cultura ideal para a aplicação desses conceitos. Apesar disso, ainda há uma carência de estudos que avaliem comparativamente o impacto de diferentes biofertilizantes sobre o crescimento e desenvolvimento dessa cultura.

Contudo, o aumento da demanda por alimentos e as preocupações com os efeitos ambientais associados ao uso de insumos químicos têm impulsionado a procura por práticas agrícolas mais sustentáveis. A agroecologia, surgida na década de 1970 como uma resposta aos efeitos adversos da Revolução Verde, promove um modelo de agricultura que integra a conservação dos recursos naturais com a produtividade agrícola.

A crescente procura por alimentos saudáveis e sustentáveis tem estimulado a adoção de técnicas agrícolas que reduzam o uso de produtos químicos sintéticos, favorecendo a saúde do solo e das plantas. Neste contexto, a adubação orgânica e o uso de biofertilizantes emergem como alternativas promissoras, que podem melhorar a qualidade do solo e reduzir a dependência de fertilizantes químicos, sem comprometer a produtividade. No entanto, a eficácia desses biofertilizantes pode variar dependendo da combinação utilizada e das condições específicas de cultivo.

Este estudo buscou identificar a melhor prática para promover o crescimento saudável e produtivo da couve, contribuindo para a construção de um conhecimento mais robusto e aplicável às práticas agrícolas sustentáveis.

  

1.1 OBJETIVOS

 

1.1.1 Objetivo Geral

 

Avaliar os efeitos da adubação orgânica e do uso de diferentes biofertilizantes no crescimento, desenvolvimento e produtividade da cultura da couve (Brassica oleracea var. acephala).

 

1.1.2 Objetivos Específicos

 

·         Comparar o crescimento vegetativo da couve entre os diferentes Tratamentos de biofertilização;

·         Identificar se algum esterco proporciona melhor desenvolvimento da couve;

 

2 REFERENCIAL TEÓRICO

 

2.1 A História e Importância da Couve

 

A couve (Brassica oleracea var. acephala) é uma espécie olerícola pertencente à família das Brassicaceae. Caracteriza-se por ser uma planta bienal e arbustiva, tolerante ao calor, o que permite o seu cultivo por vários meses dos anos (FILGUEIRA apud SILVA, 2022, p. 1). A couve, também conhecida como couve comum, é extremamente rica em nutrientes, destacando-se pela alta concentração de fibras, cálcio, magnésio, manganês, fósforo, potássio e vitaminas A, B1, B2, B3 e C (EMBRAPA, 2022).

Essa verdura tem sua origem na região litorânea do Mediterrâneo e pertence à família das brassicaceae, a mesma do repolho, brócolis, couve-flor e rabanete. Na Europa e nos Estados Unidos, é mais comum o consumo da variedade de couve com folhas crespas (EMBRAPA, 2022).

A couve é um alimento com importante valor nutricional e funcional. Apresenta diferentes tipos de minerais (cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, sódio e zinco); vitaminas (tiamina, riboflavina, ácido fólico, niacina, vitaminas C, B6, A, E e K) e lipídios (USDA, 2013).

Em 2017, o Brasil contava com 71.431 propriedades rurais cultivando couve, com produção total de 343.127 toneladas, sendo a região sudeste a maior produtora, com 31.428 produtores, 2.963,98 hectares e 280.331 toneladas produzidas, com média de 9,0 toneladas por hectare (ha-1) (OTOBONI; OLIVEIRA; VARGAS, 2019).

Segundo dados com evidencias científicas disponibilizados pelo site Tua Saúde (2024), a couve é um alimento que fortalece o sistema imunológico por ser rica em vitamina C e vitaminas do complexo B, que melhoram a função das células de defesa e combatem microrganismos. Além disso, devido ao seu baixo teor calórico e alto teor de fibras, a couve auxilia na perda de peso, proporcionando saciedade e controlando a fome. Suas fibras também regulam o intestino e melhoram a flora intestinal. A presença de cálcio e fósforo contribui para a saúde óssea, prevenindo condições como osteoporose. A couve também combate o envelhecimento precoce devido aos antioxidantes e à vitamina C, que protege a pele e estimula a produção de colágeno. Esses nutrientes, junto com compostos bioativos como clorofila e polifenóis, ajudam a prevenir certos tipos de câncer. Além disso, a couve reduz os níveis de colesterol, protege o fígado graças ao kaempferol (flavonoide de ação antioxidante, anti-inflamatória e hepatoprotetora), e, por seu teor de vitamina C, previne e trata a anemia ao facilitar a absorção de ferro.

A expansão da agropecuária no Brasil e as exigências do mercado consumidor por uma produção mais sustentável têm direcionado as cadeias produtivas para o aprimoramento do desempenho social, econômico e ambiental. Essa transformação é quase uma metamorfose que passa de uma produção extensiva para sistemas agrícolas mais sustentáveis, seguindo os requisitos da legislação ambiental vigente e sem a perda de novas áreas naturais (EMBRAPA, 2021).

Segundo Assis e Romeiro (2002), a agroecologia surgiu na década de 1970 como uma ciência destinada a estabelecer uma base teórica para diferentes movimentos de agricultura alternativa que estavam ganhando força devido aos sinais de esgotamento da agricultura moderna. Embora o termo esteja associado a várias correntes da agricultura alternativa, não deve ser confundido com uma prática agrícola. Trata-se de uma ciência que busca compreender o funcionamento dos agroecossistemas complexos, bem como as diversas interações que ocorrem nesses sistemas, com o objetivo de conservar e ampliar a biodiversidade agrícola, promovendo a autorregulação e, consequentemente, a sustentabilidade.

 

2.2 Cultura da Couve

 

A couve (brassica oleracea var. Acephala) é uma das hortaliças mais cultivadas no brasil, amplamente utilizada na culinária devido ao seu alto valor nutricional e sabor característico. Seu cultivo é relativamente simples, adaptando-se bem a diferentes regiões do país. Este capítulo detalha os principais aspectos do cultivo da couve, abordando desde o preparo do solo até a comercialização.

·         Clima e condições ideais

A couve se adapta a uma ampla faixa climática, mas se desenvolve melhor em temperaturas entre 15°c e 25°c. Embora tolere tanto calor quanto frio moderado, temperaturas muito altas podem acelerar a floração, reduzindo a qualidade das folhas. A exposição ao sol pleno é recomendada para um crescimento vigoroso, mas a hortaliça também pode se desenvolver em meia-sombra.

 

 

·         Preparo do solo

O solo ideal para o cultivo da couve deve ser: Bem drenado, evitando o acúmulo excessivo de água; Rico em matéria orgânica para garantir uma nutrição equilibrada; com ph entre 5,5 e 6,8, necessitando de correção com calcário caso esteja muito ácido; Antes do plantio, recomenda-se incorporar esterco curtido, compostagem ou adubo orgânico ao solo.

·         Propagação e plantio

A couve pode ser cultivada por sementes ou por mudas. O plantio por sementes exige um viveiro ou sementeiras, onde as mudas devem ser mantidas por cerca de 25 a 30 dias antes do transplante.

Espaçamento – sugere-se 40 cm entre plantas e 60 cm entre linhas, permitindo um bom desenvolvimento das folhas. Em cultivos comerciais, pode-se utilizar espaçamento maior para facilitar a colheita mecanizada.

Realiza-se a adubação antes do plantio, com o uso de adubo orgânico (esterco bovino, composto orgânico, farinha de ossos) ou fertilizantes ricos em nitrogênio (n), essencial para o desenvolvimento das folhas. Durante o cultivo, fazer reforços com húmus de minhoca ou adubação química equilibrada (exemplo: npk 10-10-10).

·         Manejo e cuidados

A irrigação deve ser frequente, mantendo o solo sempre úmido, mas sem encharcar, recomendando-se a irrigação por gotejamento, caso seja possível, pois evita desperdício de água e reduz a incidência de doenças.

Alguns cuidados precisam ser tomados, para realizar o controle de pragas e doenças, como lagartas, pulgões e mosca-branca. Tais pragas podem ser controladas com bioinseticidas ou controle manual. Doenças comuns são oídio e ferrugem. O manejo adequado da irrigação e espaçamento correto ajudam a prevenir essas doenças. Além de utilizar a rotação de culturas também para evitar o esgotamento do solo e a proliferação de pragas.

·         Colheita e comercialização

A colheita da couve pode começar entre 60 e 90 dias após o plantio, dependendo das condições climáticas e dos cuidados tomados. Sendo realizada de forma escalonada, onde as folhas externas são retiradas gradualmente, permitindo que a planta continue produzindo novas folhas.

 

·         Benefícios e sustentabilidade

A produção de couve pode ser altamente sustentável se forem utilizadas práticas como: Adubação orgânica, evitando o uso excessivo de fertilizantes sintéticos; Captação de água da chuva para irrigação; Uso de bioinseticidas para controle de pragas.

A couve é uma hortaliça altamente nutritiva, rica em fibras, cálcio, ferro e vitaminas A, C e K, contribuindo para a saúde e bem-estar da população. Seu cultivo, quando bem manejado, pode ser uma excelente fonte de renda para pequenos e médios produtores.

 

2.3 A Revolução Verde e suas Consequências Negativas

 

Iniciada nas décadas de 1940 e 1950, a Revolução Verde catalisou uma série de transformações que foram significativas para a agricultura global. Essas mudanças foram caracterizadas pelo processo de desenvolvimento, implantação e disseminação de variedades de grãos resistentes ao ataque de pragas e doenças, consequentemente, se tornando mais produtivas, o uso intensificado de fertilizantes químicos e pesticidas, além da mecanização das práticas agrícolas. Todos esses fatores culminaram no aumento da produtividade mundial de alimentos, especificamente nos países em desenvolvimento como Índia, México e Brasil. Em contrapartida ao seu papel crucial na prevenção de crises alimentares, a Revolução Verde gerou impactos ambientais e sociais de tamanha complexidade, que muitos destes se encontram até hoje presentes no cenário da sociedade atual (SERRA et al., 2016).

Dentre as inúmeras consequências negativas da Revolução Verde, podemos destacar a degradação do solo devido as práticas como a monocultura e a intensificação do uso de maquinário pesado nas áreas agricultáveis, causando esgotamento de nutrientes, desequilíbrio natural e a compactação do solo, a contaminação dos recursos hídricos como rios, córregos e lençóis freáticos, e a redução da biodiversidade decorrente do uso acentuado de insumos químicos (SERRA et al., 2016).

 

2.4 Agricultura Orgânica

 

A agricultura orgânica é um sistema de produção que busca utilizar de forma racional os recursos naturais, empregando métodos de cultivos tradicionais e as mais recentes tecnologias ecológicas (PENTEADO, 2003.)

A institucionalização da agricultura orgânica no mundo teve início em 1972, com a criação da IFOAM – Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica e a publicação de suas primeiras normas, em 1978. (FONSECA, 2009).

No Brasil, as práticas que seguiam os princípios da agricultura orgânica foram desenvolvidas por técnicos, consumidores e organizações de produtores desde a década de 70, e a discussão pela regulamentação da agricultura orgânica teve-se início em 1994, para ser reconhecida no mês de maio de 1999 através da publicação da Instrução Normativa nº 007/99, do MAPA (BRASIL, 1999).

Com a Lei 10.831 (BRASIL, 2003), publicada em dezembro de 2003, que se foram definidas e estabelecidas as condições obrigatórias para a comercialização e a produção de produtos oriundos da agricultura orgânica.

Em 2004, no mês de março, a Câmara Setorial de Agricultura Orgânica (CSAO) foi criada como órgão de apoio e consulta as políticas do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Teve suma importância para que a Lei 10.831 fosse aprovada e regulamentada. Depois de passar pela Casa Civil e pelos ministérios envolvidos, e após a aprovação das modificações pela CSAO em agosto de 2007, o Decreto 6.323 foi publicado no Diário Oficial da União em 28 de dezembro de 2007. As portarias e instruções normativas de cada setor e atividade passaram por nova consulta pública em maio de 2008. Neste mesmo ano, a CSAO passou a ser nomeada de Câmara Técnica da Agricultura Orgânica (CTAO), onde houve inclusão e exclusão de membros, novos mandatos foram iniciados (BRASIL, 2003).

Toda a tramitação para a regulamentação da agricultura orgânica no país se encontra disponível no site do MAPA (www.agricultura.gov.br).

 

2.4.1 Biofertilizantes Líquidos e Organominerais

 

Biofertilizantes líquidos são produtos naturais obtidos da fermentação de materiais orgânicos com água, na presença ou ausência de ar (processos aeróbicos ou anaeróbicos). Podem possuir composição altamente complexa e variável, dependendo do material empregado, contendo quase todos os macros e micro elementos necessários à nutrição vegetal (SILVA et al., 2007).

A aplicação do biofertilizante nas plantações favorece a multiplicação de micro-organismos, proporcionando saúde e vida ao solo. Além disso, os biofertilizantes deixam a terra mais porosa, permitindo maior penetração do ar nas camadas mais fundas até as raízes (BARROS, 2021).

Os biofertilizantes são fertilizantes líquidos obtidos por meio da degradação de matéria orgânica (esterco de animais e/ou aves, ou restos de vegetais) em condições aeróbicas e anaeróbicas em biodigestor. Também fornece um resíduo sólido que pode será aplicado ao solo como fertilizante. Tem efeito nutricional, fornece proteínas, enzimas, vitaminas, antibióticos naturais, alcaloides, macro e micronutrientes. O biofertilizante ainda é utilizado como defensivo natural, aumentando o vigor e a resistência da planta (PENTEADO, 2003).

O emprego de biofertilizantes também se apresenta como uma pratica viável e de baixo custo, principalmente pelo fato da crescente procura por novas tecnologias de produção que proporcionem redução de custos e preocupação com a qualidade de vida no planeta. Os biofertilizantes são produtos preparados a partir da digestão aeróbica ou anaeróbica de materiais orgânicos, utilizados como adubo foliar, em substituição aos fertilizantes minerais (FERNANDES et al., 2000).

De acordo com a legislação brasileira, os fertilizantes organominerais são definidos como produtos que combinam um componente mineral com material orgânico. Para que esses fertilizantes sejam classificados como organominerais, é necessário que apresentem concentrações mínimas de nutrientes primários, secundários ou micronutrientes, além de carbono orgânico. (CRUZ; PEREIRA; FIGUEIREDO. 2017)

O Ministério da Agricultura (MAPA), por meio da Instrução Normativa nº 61/2020, regulamenta os teores mínimos de nutrientes nos fertilizantes organominerais, sejam eles sólidos ou fluidos, destinados à aplicação no solo ou via fertirrigação. Esses produtos devem atender aos seguintes parâmetros: teor mínimo de 8% de carbono orgânico para fertilizantes sólidos e 3% para fluidos; umidade máxima de 20% para produtos sólidos; e capacidade de troca de cátions (CTC) mínima de 80 mmolc/kg para fertilizantes sólidos.

Os nutrientes presentes nas misturas dos fertilizantes organominerais devem atender a valores mínimos específicos. Para misturas de macronutrientes primários, o somatório dos nutrientes NPK, NP, NK ou PK deve ser de, no mínimo, 5%. No caso de misturas compostas exclusivamente por macronutrientes secundários, como Ca + Mg + S, Ca + Mg, Ca + S ou Mg + S, o somatório desses nutrientes deve atingir ao menos 3%. Quando se trata de misturas exclusivamente de micronutrientes, o somatório de pelo menos dois desses elementos deve ser de, no mínimo, 3%. Já para misturas que combinam macronutrientes secundários com micronutrientes, o somatório dos nutrientes deve ser de, no mínimo, 5%. Por fim, nos produtos que contenham um macronutriente primário em combinação com macronutrientes secundários, micronutrientes ou ambos, o somatório dos nutrientes deve alcançar pelo menos 5% (MAPA, 2020).

Adicionalmente, a Instrução Normativa classifica os fertilizantes organominerais em duas categorias, de acordo com a origem de suas matérias-primas. A Classe A inclui aqueles fertilizantes cuja matéria-prima provém de atividades agropecuárias, extrativistas ou agroindustriais, isentas de despejos ou contaminantes sanitários. Já a Classe B abrange fertilizantes cuja matéria-prima é derivada de atividades urbanas, industriais ou agroindustriais, cujo uso é autorizado pelo órgão ambiental competente (MAPA, 2020).

 

2.4.2 Adubação Orgânica

 

O adubo ou fertilizante orgânico é o produto de origem vegetal, animal ou agroindustrial que aplicado ao solo proporciona a melhoria de sua fertilidade e contribui para o aumento da produtividade e qualidade das culturas (TRANI et al., 2013).

De acordo com os dados da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abissolo), o mercado brasileiro de fertilizantes orgânicos, minerais e organominerais, denominados especiais, registrou um faturamento de R$ 22,193 bilhões no ano de 2022, representando um crescimento de 33,2% em comparação ao ano de 2021. Em 2022, todas as categorias de fertilizantes registraram crescimento, com destaque para os fertilizantes minerais especiais, que apresentaram um aumento de 37%. Em seguida, os fertilizantes orgânicos tiveram um incremento de 25,5%, enquanto os organominerais cresceram 22,7%.

Os fatores fundamentais que impactaram o resultado positivo incluem a ampliação da adoção desses insumos pelos agricultores, em virtude da difusão da percepção de valor; a expansão das áreas cultivadas com culturas de elevada importância econômica; o valor agregado aos produtos resultante dos avanços tecnológicos incorporados; e o maior investimento em tecnologia agrícola, motivado pela atratividade dos preços das commodities (ABISOLO, 2023).

Adicionalmente, os produtores compreenderam de forma mais aprofundada o impacto dos fertilizantes orgânicos e organominerais na eficiência dos processos nutricionais, no equilíbrio das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, bem como na produtividade e qualidade do produto final (ABISOLO, 2023).

Os adubos orgânicos promovem melhorias significativas nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Do ponto de vista físico, eles aprimoram a estrutura do solo, promovem melhor aeração, aumentam a capacidade de armazenamento de água e favorecem a drenagem interna, além de mitigar variações bruscas de temperatura que afetam processos biológicos e a absorção de nutrientes pelas plantas. Em termos químicos, os fertilizantes orgânicos enriquecem gradualmente o solo com macro e micronutrientes essenciais e aumentam o teor de matéria orgânica. No que se refere às propriedades físico-químicas, esses adubos melhoram a adsorção de nutrientes, reduzindo a lixiviação de nutrientes devido à chuva ou irrigação, e aumentam a capacidade de troca de cátions (CTC), o que contribui para uma fertilidade do solo aprimorada. Finalmente, nas propriedades biológicas, os fertilizantes orgânicos favorecem o aumento da biodiversidade de microrganismos benéficos, que auxiliam na solubilização de fertilizantes e no controle de nematoides que atacam as raízes das plantas (TRANI et al., 2013).

 

2.5 Mercado Mundial e Nacional da Agricultura Orgânica

 

Os produtos originários da agricultura orgânica são considerados diferenciados em sua qualidade e recebem um selo orgânico, que é um selo de qualidade, o qual indica que o produto foi cultivado e processado dentro das normas estabelecidas internacionalmente ou para cada país (KHATOUNIAN apud VILELA, 2019, p. 9).

Segundo a Global Agriculture (2024), em 2022 a área da produção orgânica global chegou a 96,4 milhões de hectares, um marco significativo. Esse dado representa um aumento expressivo de 26,6%, sendo assim, um aumento de 20,3 milhões de hectares a mais em relação ao ano anterior. Este crescimento foi impulsionado por países como Austrália e Índia. A Austrália, por exemplo, registrou um aumento de 17,3 milhões de hectares, se consolidando com a maior área de agricultura orgânica, tendo um total de 53 milhões de hectares.

Além disso, foi registrado também, um aumento do número de produtores orgânicos mundiais, superando os 4,5 milhões, com a Índia sendo o país com o maior número. Em termos regionais, a Oceania detém mais da metade da área global de agricultura orgânica, enquanto a Europa, América Latina, Ásia e África também apresentam contribuições significativas.

No que diz respeito à proporção da agricultura orgânica em relação ao total de terras agrícolas Liechtenstein (Principado europeu situado na região dos Alpes entre Áustria e Suíça.) lidera com 43% de sua terra agrícola sob manejo orgânico, seguido de Áustria (27,5%) e Estônia (23,4%).

Considerando a perspectiva global, apenas 2% da terra agrícola se encontra em manejo orgânico, entretanto, diversos países registram percentuais significativamente mais elevados.

O mercado global de alimentos orgânicos manteve sua trajetória de crescimento, alcançando aproximadamente 135 bilhões de euros em 2022, evidenciando o papel cada vez mais significativo da agricultura orgânica na promoção da sustentabilidade e na garantia da segurança alimentar global.

Em cenário nacional, segundo dados do MAPA (2023), a produção orgânica no Brasil demonstrou um crescimento expressivo, com a área cultivada expandindo para aproximadamente 2,3 milhões de hectares. Esse aumento reflete o crescente interesse por práticas sustentáveis, impulsionado por políticas governamentais de incentivo e pela crescente demanda por produtos orgânicos nos mercados interno e externo. A região Sudeste permanece como a principal área de produção, seguida pelo Nordeste. Adicionalmente, o número de agricultores orgânicos registrados também aumentou, sublinhando a relevância crescente desse setor para a economia agrícola brasileira.

Em conformidade com os dados disponibilizados pelo Mundo do Marketing (2023), O mercado de produtos orgânicos no Brasil apresentou um crescimento contínuo, com um incremento de 16% no consumo de alimentos orgânicos em comparação com os anos anteriores. A demanda por alimentos orgânicos atingiu aproximadamente 46% da população brasileira, evidenciando um aumento na conscientização sobre os benefícios associados a esses produtos. O Nordeste destacou-se com a maior taxa de crescimento no consumo, passando de 32% em 2021 para 45% em 2023. Esse crescimento foi impulsionado pela crescente preferência por alimentos isentos de agrotóxicos e por práticas agrícolas sustentáveis.

Conforme dados do MAPA (2023), as hortaliças apresentaram uma ascensão de aproximadamente 35% do total de áreas cultivadas em manejo orgânico, fazendo-se uma das principais categorias de produção orgânica do país. A produção de hortaliças orgânicas demonstrou um crescimento significativo nas regiões Sul e Sudeste, onde as condições climáticas e a infraestrutura de suporte foram favoráveis ao incremento da produção.

 

 

3 MATERIAIS E MÉTODOS

 

3.1 Local do Experimento e Tipo de Solo

 

O referente experimento foi realizado na propriedade rural Fazenda São Vicente, situada no município de Itaverava, Minas Gerais, na região Olhos D’água, altitude 1,120 metros, latitude 20°38’14” S e longitude 43°35’55” W. A região é composta por Cambissolo Hálpico Distrófico, segundo dados da Embrapa 2004 (AMARAL et al., 2004). O clima da região é tropical de altitude, com temperatura média anual variada de 18°C a 22°C, com temperaturas mais baixas durante o inverno.

A espécie estudada foi a Brassica oleracea var. Acephala com mudas já apropriadas para o transplante a campo.

 

3.2 Delineamento Experimental e Tratamentos

 

O delineamento experimental usado foi o DBC – delineamento em blocos casualizados, com quatro blocos e cinco Tratamentos, sendo eles:

1.    T1: Controle utilizando exclusivamente esterco bovino como adubação inicial;

2.    T2: Biofertilizante caseiro com 50 ml por canteiro de 4m², diluído em concentração de 1% para evitar os riscos de fitotoxicidade. Biofertilizantes caseiros são ricos em nutrientes, mas também podem conter compostos que, em concentrações elevadas, podem causar queimaduras ou danos às folhas e raízes das plantas. O biofertilizante foi preparado utilizando: 1 kg de farinha de osso; 1 kg de torta de mamona; 5 kg de esterco bovino; 5 kg de esterco de aves em um galão de 20 litros, completando a mistura com água, onde a mesma ficou em repouso por 30 dias (EUZÉBIO, 2018), em três aplicações espaçadas entre 15 dias a partir do transplantio;

3.    T3: Biofertilizante comercial 5 ml por canteiro de 4m² diluído em uma bomba de pulverização própria para biofertilizantes foliares de 5 litros, em três aplicações espaçadas entre 15 dias, seguindo as recomendações de aplicação do fabricante;

4.    T4: Biofertilizante caseiro + Biofertilizante comercial em três aplicações espaçadas entre 15 dias a partir do transplantio com doses de 50 ml + 5 ml dos respectivos Tratamentos diluídos em uma bomba de pulverização própria para biofertilizantes foliares de 5 litros de capacidade.

5.    T5: Esterco de aves curtido + Biofertilizante caseiro a 50 ml por canteiro de 4m² em três aplicações espaçadas entre 15 dias a partir do transplantio; sendo a aplicação de esterco de aves curtido realizada por cova na hora do transplantio em uma quantidade de 212g/cova, totalizando 8,5 toneladas/ha, segundo dados da EMBRAPA (2006).

Todos os tratamentos utilizados receberam esterco bovino.

 

3.3 Preparo do Terreno, Semeadura e Irrigação

 

Esta preparação ocorreu no dia 27 de novembro de 2024, quando as chuvas cessaram, e com a disponibilidade de mão de obra e maquinário. O terreno é levemente íngreme, mas não atrapalhou a consecução do experimento.

 

Figura 1 Preparo do terreno


Fonte: Acervo do Autor, 2024

Legenda: A) Preparo do terreno com Maquinário Agrícola – Arado de 3 Discos Reversível; B) Terreno finalizado e pronto para a preparação dos blocos

 

O transplantio ocorreu no dia 01 de dezembro de 2024, fugindo de todo o cronograma inicial. As mudas foram dispostas por delineamento em uma área de 80m² dividida em 20 parcelas de 4m², onde foram transplantadas 16 mudas em cada parcela com o espaçamento de 0,50 cm por planta e também entre linhas. A adubação de base foi realizada no momento da semeadura e consistiu na aplicação de esterco bovino curtido. Foram colocados 199,5 g/cova de esterco, o que equivale a 15,000 Kg ha¹, segundo recomendações da Embrapa (2020), e 212g/cova de esterco de aves totalizando 8,500 Kg ha¹, segundo dados da EMBRAPA (2006), junto ao esterco bovino nos canteiros T5.

 

Figura 2 Mudas transplantadas



Fonte: Acervo do Autor, 2024

 

As mudas transplantadas possuíam, no dia do plantio, cerca de 5 cm de altura, com folhas medindo aproximadamente 2 cm de largura e cada uma delas, possuía entre 2 e 3 folhas por muda.

A irrigação dos canteiros estava programada para ser realizada diariamente, duas vezes ao dia, nos períodos da manhã e no final da tarde, mas devido as chuvas, a irrigação ocorreu apenas 1x ao dia, nos fins de tarde, em dias chuvosos; e 2x ao dia, em dias ensolarados. A irrigação foi feita de forma manual, operando um regador de capacidade de 10 litros, totalizando 20 litros por canteiro.

Passados 60 dias do transplantio das mudas, foi feita a avaliação dos dados analisados.

Em todos os canteiros formados, foram excluídas as plantas de bordadura, e 3 plantas da parte central dos canteiros foram selecionadas para a realização das avaliações, onde foram analisados a altura das plantas com a utilização de uma fita métrica; o diâmetro das plantas com a utilização de um paquímetro; número total de folhas por planta; o número de folhas próprias para o consumo que, conforme a metodologia de Novo et al. (2010), são as folhas que apresentam tamanho maior que 8 cm, e peso das folhas comestíveis utilizando-se de uma balança de precisão.

 

3.4 Tratos Culturais

 

Os tratos culturais realizados após o plantio foram principalmente as aplicações com defensivos para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Foram realizadas quatro aplicações, que estão descritas a seguir:

·         Dia 01/12/2024 – Preparo dos canteiros e Tratamento das covas com esterco Bovino e Esterco de Aves e Plantio das Mudas;

·         Dia 06/12/2024 – Por medida de segurança, após o 5º dia da realização do transplantio, uma aplicação de água com detergente neutro foi realizada no intuito de promover o controle de lagartas da espécie Ascia monuste orseis, popularmente conhecida como curuquerê-da-couve.

·         Dia 15/12/2024 – Primeira aplicação de Fertilizantes e Biofertilizantes nas plantas. Seguindo o proposto inicialmente. Todos os canteiros receberam seus respectivos Biofertilizantes, com exceção do canteiro T1, que serviu como Testemunha. Vale salientar que as fotos das aplicações de Biofertilizantes foi feita de forma aleatória, não havendo foto de todos os canteiros.

 

Figura 3 Aplicação de Biofertilizante Comercial - Canteiro T3



Fonte: Acervo do Autor, 2024

As bombas utilizadas para a aplicação do Biofertilizante Caseiro, e do Biofertilizante Comercial não eram as mesmas. Optou-se por utilizar duas bombas distintas para evitar qualquer tipo de “contaminação”. Isso também ajuda a manter a eficácia de cada tipo de biofertilizante, já que eles possuem componentes ou características diferentes.

·         Dia 26/12/2024 – Aplicação de Óleo de Neem para controle de pragas como ácaros, pulgões, cochonilhas e besouros. O óleo foi aplicado em todos os canteiros. A azadiractina é a principal substância tóxica presente na planta do Neem. É um composto tetraterpênico (limoneno) facilmente solúvel em água e álcool. É sensível aos raios ultravioleta e pode ser eliminado do meio ambiente em cerca de 20 dias. Sua função é inibir a alimentação dos insetos, afetar o desenvolvimento e crescimento das larvas, reduzir a fecundidade e fertilidade dos adultos, mudar o comportamento, causar diversas anormalidades nas células e na fisiologia dos insetos, e até causar a morte de um pequeno número de ovos e larvas (MARTINEZ, 2002).

·         Dia 30/12/2024 – Realizada a segunda aplicação de Biofertilizantes nos canteiros de 2 à 5.

No dia desta aplicação, foi realizada também, uma capina manual para retirada de ervas daninhas e demais plantas que cresciam juntamente com as mudas de couve. Essa capina manual foi feita para manter a integridade dos canteiros evitando que estas plantas se tornassem chamariz para insetos, por exemplo.

·         Dia 06/01/2025 – Foi necessário a aplicação de formicida ao redor dos canteiros e do formigueiro. Não havia sido feito nenhum Tratamento prévio contra ataques de formigas, uma vez que se trata de um experimento sobre agricultura orgânica, e a prevenção contra este tipo de ataque é feito através de substâncias químicas. Por este motivo a aplicação se deu ao entorno dos canteiros, e não entorno das plantas já desenvolvidas. Felizmente o ataque ocorreu apenas no canteiro 1 do T1, mas infelizmente todas as plantas deste canteiro foram acometidas pelas formigas.

 

Figura 4 Resultado do ataque das formigas saúvas no Canteiro 1 do T1



Fonte: Acervo do autor, 2025

 

·         Dia 17/01/2025 – Foi realizada a última aplicação de Biofertilizantes nos Canteiros de T2 à T5. Esta aplicação seria realizada no dia 15/01, porém não foi possível devido às chuvas que caíram no local do experimento, inviabilizando a progressão do experimento.

 

Figura 5 Última aplicação de Biofertilizantes



Fonte: Acervo do autor, 2025

 

·         Dia 02/02/2025 – Colheita das plantas já maduras e prontas para o consumo e análise dos dados.

Os dados obtidos foram submetidos a ANOVA e as médias avaliadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

 

3.5 Avaliações

 

Os tópicos seguintes descrevem as avaliações necessárias para o desenvolvimento do estudo, tais como: altura e diâmetro das plantas, número de folhas totais da planta, número de folhas próprias para o consumo e peso das folhas comestíveis.

 

3.5.1 Altura e Diâmetro do Caule

 

A mudas foram dispostas em 5 blocos de 4 canteiros, onde foram plantadas 16 mudas por canteiro. Durante o processo de mensuração das mudas, foram descartadas as mudas de bordadura e selecionadas 3 mudas centrais, de forma aleatória para serem medidas. Todas as mudas, no momento do plantio, possuíam 3 folhas.

O descarte das mudas de bordadura para efeitos do experimento foi feito conforme orientado por Storck et al. (2011), que pontuou que as plantas de bordadura podem ocasionar erros experimentais, pois induzem a uma competição intra e interparcelar. Estes autores destacam que, além desse efeito bordadura, outros fatores podem gerar erros nas análises como a heterogeneidade das unidades experimentais, incidência de doenças, pragas e plantas daninhas, heterogeneidade do material experimental, tratos culturais e Tratamentos aplicados em experimentos anteriores.

As medições foram realizadas 3 dias após cada fertilização, sendo: 03/12 e 03/01. Sendo realizada uma última medição dia 02/02, após a colheita das folhas de couve.

 

3.5.2 Número de folhas totais da planta, número de folhas próprias para o consumo e peso das folhas comestíveis

 

Esta avaliação foi feita considerando o número de folhas iniciais x o número de folhas totais das plantas. Após fazer essa mensuração, foi feita a análise das folhas de cada planta, afim de verificar a quantidade de folhas que seriam próprias para o consumo, considerando, conforme Lana e Tavares (2010) e Oliveira et al. (2015):

·         Aparência das folhas – As folhas próprias para o consumo estavam na cor verde vibrante, sem sinais de amarelamento ou descoloração. Foram excluídas aquelas que apresentavam manchas escuras, buracos ou sinais de murchamento, pois podem indicar deterioração ou presença de pragas;

·         Textura – Neste aspecto, foram consideradas as folhas que estavam firmes e crocantes. As folhas que pareciam murchas, ou com as bordas secas foram descartadas por não apresentarem condições ideais de consumo;

·         Tamanho e formato – Foram consideradas as folhas com os tamanhos de médio a grande, avaliando-se pé por pé de couve, com bordas inteiras e sem sinais de corte ou rasgo. As folhas muito pequenas, ou muito grandes podem ser menos saborosas ou mais fibrosas;

·         Presença de insetos ou sujeira – As folhas que apresentavam sinais de insetos (como teias de aranha ou buracos) foram descartadas, mesmo que tal sinal estivesse somente nas bordas.

Visualmente, houve uma grande diferença entre o montante de folhas próprias para o consumo entre cada tipo de Tratamento depositado em cada grupo de mudas de couve.

 

4 RESULTADO E DISCUSSÃO

 

Após a coleta de dados e o processamento estatístico foram obtidos os resultados que possibilitaram avaliar quais biofertilizantes tiveram melhores resultados para o cultivo de Brassica oleracea var. acephala. Além disso, foi possível observar que houve diferença estatística para as seguintes variáveis comparando os resultados dos Tratamentos utilizados em relação ao T5: Diâmetro do caule, Folhas Totais, Folhas comestíveis por planta e Peso Médio das Folhas quando analisados pelo Teste de Tukey. No que concerne à altura, o T5 também apresentou diferença estatística em comparação aos outros tratamentos, mas não houve grandes diferenças entre os blocos. Apesar de haver diferenças significativas visualmente no experimento, ao analisar os dados estatísticos, essa diferença não se torna tão aparente.

 

4.1 Altura

 

Toda diferença entre médias igual ou superior a 9,12 é significativa a 5% de probabilidade.

 

Tabela 1 Análise de variância dos dados de altura em cm/planta

Fv

GL

SQ

QM

F

Blocos

3

5,2921

1,764

0,11 (ns)

Tratos

4

286,0769

71,5192

4,37*

Resíduo

12

196,5403

16,3783

 

Total

19

 

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

*: Significativo a 5% de probabilidade. (ns): Não significativo.

Coeficiente Variável 12,75%. Desvio Padrão: 31,73 cm/planta. S = √QMR = 4,047

 

A análise de variância (ANOVA) da variável altura (cm/planta) revelou que os tratamentos (biofertilizante caseiro + esterco de aves) resultaram em diferenças significativas (F = 4,37, p < 0,05), evidenciando que os diferentes compostos testados influenciaram de maneira distinta o crescimento das plantas.

 

 

Tabela 2 Médias da altura (cm/planta) pelos tratamentos, analisadas pelo Teste de Tukey a 5%.

Tratamento

 

 

b

T1

27,88

 

b

T2

31,12

a

b

T3

29,31

 

b

T4

31,5

a

b

T5

38,83

a

 

Fonte: Dados do autor, 2025

T1: Testemunha; T2: Biofertilizante Caseiro; T3: Biofertilizante Comercial; T4: Biofertilizante Caseiro + Biofertilizante Comercial; T5: Biofertilizante Caseiro + Esterco Bovino + Esterco de Aves.

Médias seguidas pela mesma letra, não diferem significativamente entre si.

 

O teste de Tukey, aplicado ao nível de 5% de probabilidade, permitiu a comparação entre as médias dos tratamentos, sendo que o tratamento T5 (Biofertilizante Caseiro + Esterco Bovino + Esterco de Aves) apresentou a maior altura média (38,83 cm), superior aos tratamentos T1 (Testemunha) e T4 (Biofertilizante Caseiro + Biofertilizante Comercial). Embora o T5 tenha se destacado, T2 (Biofertilizante     Caseiro) e T4 não diferiram estatisticamente entre si, sugerindo que a combinação de biofertilizante caseiro com esterco bovino e de aves proporciona um benefício adicional no crescimento da altura da planta. Já o tratamento T1 obteve a menor média, confirmando que a ausência de biofertilizantes e esterco resultou em um menor desenvolvimento vegetal.

Neste experimento foi encontrado uma média de altura entre 28 e 37 cm. Não sendo uma variação muito diferente e se aproximando da altura encontrada por Steiner et al. (2009), onde o autor encontrou valores entre 16 e 25 cm de altura, em sua pesquisa com diferentes qualidades de composto orgânico em couve. Na pesquisa realizada por Azevedo et al. (2012), ao analisarem o desempenho agrícola de 36 genótipos distintos de couve, observaram que a altura dessa planta pode oscilar entre 31,20 cm e 83,35 cm, dependendo do genótipo. Na pesquisa, estes autores mantiveram o cultivo por mais de 60 dias.

Em vista disso, os achados obtidos neste estudo se igualaram à altura mínima observada por Azevedo et al. (2012) em cultivo convencional, demonstrando que a aplicação de biofertilizantes isoladamente não foi suficiente para promover o crescimento vertical das plantas. O resultado que mais se aproximou e que poderia ser avaliado em relação ao aumento da dose para atingir o padrão desejado foi o Esterco de aves curtido combinado com Biofertilizante caseiro. Uma das possíveis explicações para essa variação na altura das plantas é que a absorção de nutrientes ocorre de maneira mais rápida na produção convencional em comparação com a adubação orgânica, onde a liberação de nutrientes é mais demorada.

 

4.2 Diâmetro do Caule

 

Toda diferença entre médias igual ou superior a 2,38 é significativa a 5% de probabilidade.

 

Tabela 3 Análise de variância dos dados de diâmetro do caule em mm/planta

FV

GL

SQ

QM

F

Blocos

3

4,6109

1,5369

1,37 (ns)

Tratos

4

25,1605

6,290

5,61**

Resíduo

12

13,4505

1,1209

 

Total

19

 

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

**: Os tratamentos se diferem significativamente entre si ao nível de 5 e 1% de probabilidade.

Coeficiente Variável: 7,83%. Desvio Padrão: 13,516 mm/planta. S = √QMR = 1,0587.

 

A análise de variância para o diâmetro do caule revelou uma diferença significativa entre os tratamentos (F = 5,61, p < 0,01), enquanto os blocos não apresentaram efeito significativo (F = 1,37, p > 0,05), indicando que a variação entre os blocos experimentais não afetou de maneira relevante a espessura dos caules. O teste de Tukey demonstrou que o tratamento com a combinação de biofertilizante caseiro e esterco (T5) foi significativamente superior aos tratamentos T1, T2 e T3 (p < 0,05), com uma média de 15,42 mm de diâmetro do caule, sugerindo que essa combinação de fontes de nutrientes pode melhorar a estrutura vegetativa das plantas. O tratamento T4 (biofertilizante caseiro + biofertilizante comercial), com média de 14,1 mm, não apresentou diferença estatística em relação ao T5, mas foi superior a T1 (13,01 mm) e T2 (12,75 mm), os quais não diferiram entre si.

 

Tabela 4 Médias do diâmetro do caule (mm/planta) pelos tratos, analisadas pelo Teste de Tukey a 5%.

Tratos

 

 

 

T1

13,012

 

b

T2

12,75

 

b

T3

12,29

 

b

T4

14,1

a

b

T5

15,417

a

 

Fonte: Dados do autor, 2025

Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si.

 

Esses achados reforçam a literatura existente, que indica que o uso de biofertilizantes e esterco não apenas favorece o crescimento radicular, mas também contribui para o aumento do diâmetro do caule, o que pode aumentar a resistência das plantas ao vento e melhorar sua estrutura geral. A combinação de diferentes fontes de nutrientes (como no tratamento T5) tende a ser mais eficaz na promoção do crescimento estrutural da planta, contribuindo para caules mais robustos e, portanto, mais capazes de sustentar a planta em condições ambientais adversas.

No diâmetro de caule não houve diferença significativa entre as médias dos Tratamentos utilizados. O biofertilizante caseiro utilizado no T2 e o Biofertilizante comercial utilizado no T3, apresentaram o mesmo padrão, demonstrando que o uso destes biofertilizantes sem associação a outro Tratamento não é eficiente para que a planta tenha um caule mais firme e que sustente o peso da planta. Visto isso, caso esse experimento durasse mais tempo, possivelmente essas plantas necessitariam de poda.

Conforme mencionado por Novo et al. (2010), o tamanho do caule é bastante relevante para o melhoramento, uma vez que está ligado à perda de vegetais devido à força do vento, que pode levar ao desmoronamento das plantas se estas não tiverem um tronco com a largura apropriada para seu suporte. Entretanto, Chakwizira (2007) observa que o tamanho do caule é fortemente afetado pelas condições climáticas do local onde são cultivadas. Justificando assim, a ausência de caules mais grossos e firmes.

Azevedo et al. (2012), comenta que o diâmetro do caule em couve tradicional pode oscilar entre 8,70 mm e 22,39 mm, dependendo do genótipo, levando à conclusão de que qualquer tipo de adubação orgânica aplicada neste estudo resultou em um desenvolvimento satisfatório do diâmetro do caule, não apresentando, assim, diferenças em relação aos resultados da produção convencional. Entretanto, diâmetros de caule mais amplos são preferíveis, pois reduzem a necessidade de suporte.

 

4.3 Folhas Totais

 

Toda diferença entre médias igual ou superior a 2,77 é significativa a 5% de probabilidade.

Tabela 5 Análise de variância dos dados de Folhas Totais por Planta.

FV

GL

SQ

QM

F

Blocos

3

7,4969

2,499

1,65 (ns)

Tratos

4

38,8762

9,719

6,42**

Resíduo

12

18,1714

1,5143

 

Total

19

 

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

**: Os tratamentos se diferem significativamente entre si ao nível de 5 e 1% de probabilidade.

Coeficiente Variável: 7,82%. Desvio Padrão: 15, 744 folhas/planta. S = √QMR = 1,2306.

 

Na avaliação número total de folhas por planta, o canteiro 4 obteve os melhores resultados, apresentando as maiores médias em quase todos os tratamentos, considerando os tipos de tratamento, o T5 mostrou o melhor desempenho geral, com maior número médio de folhas e menor variação. O Tratamento T1 foi o menos eficiente, especialmente devido ao Canteiro 1, onde não houve folhas para análise.

 

Tabela 6 Médias de Folhas Totais por planta pelos tratamentos, analisadas pelo Teste de Tukey a 5%.

Tratos

 

 

 

T1

14,22

 

b

T2

16,08

a

b

T3

15,33

 

b

T4

14,83

 

b

T5

18,25

a

 

Fonte: Dados do autor, 2025

Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si.

 

No que se refere ao número de folhas totais por planta, a ANOVA indicou que os tratamentos influenciaram significativamente essa variável (F = 6,42, p < 0,01). O teste de Tukey revelou que o T5 foi superior aos demais tratamentos, apresentando uma média de 18,25 folhas por planta, seguido por T2 (16,08 folhas). Os tratamentos T4 (14,83 folhas) e T1 (14,22 folhas) não diferiram significativamente entre si, sendo o T5 o único que resultou em um número de folhas significativamente maior.

A variação nos valores entre os canteiros confirma as análises encontradas nos outros quesitos analisados de que fatores externos, como condições ambientais e diferenças na aplicação do tratamento, influenciam nos resultados.

De acordo com Costa (2033, p. 10), quanto mais variada for a composição básica do biofertilizante, mais rico ele tende a ser em nutrientes essenciais às plantas superiores, fitorreguladores, enzimas, antibióticos, vitaminas e microrganismos benéficos.

 

 

4.4 Folhas Comestíveis

 

Toda diferença entre médias igual ou superior a 2,506 é significativa a 5% de probabilidade.

 

Tabela 7 Análise de variância dos dados de Folhas Comestíveis por Planta.

FV

GL

SQ

QM

F

Blocos

3

7,8927

2,6309

2,13 (ns)

Tratos

4

60,7814

15,1953

12,30**

Resíduo

12

14,8196

1,235

 

Total

19

 

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

**: Os tratamentos se diferem significativamente entre si ao nível de 5 e 1% de probabilidade.

Coeficiente Variável: 12,65%. Desvio Padrão: 8,784 folhas/planta. S = √QMR = 1,113.

 

A análise de variância para a variável "folhas comestíveis por planta" também evidenciou diferenças significativas entre os tratamentos (F = 12,30, p < 0,01), com o T5 (Biofertilizante Caseiro + Esterco Bovino + Esterco de Aves) apresentando o maior número de folhas comestíveis (11,75 folhas), seguido por T4 (9,0 folhas) e T3 (8,58 folhas), ambos superiores ao tratamento T1 (6,33 folhas). O T5 foi significativamente superior a todos os tratamentos, indicando que o uso combinado de biofertilizantes e esterco não só melhora o número total de folhas, mas também favorece o aumento das folhas comestíveis, que são as de maior interesse para consumo.

 

Tabela 8 Médias de Folhas Comestíveis pelos tratamentos, analisadas pelo Teste de Tukey a 5%.

Tratos

 

 

 

 

T1

6,33

 

 

c

T2

8,25

 

b

c

T3

8,58

 

b

c

T4

9,00

 

b

 

T5

11,75

a

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si

 

Esse dado sugere que o uso de biofertilizantes e esterco pode influenciar positivamente não apenas a quantidade de folhas, mas também a qualidade das mesmas, aumentando a produtividade do cultivo e potencialmente a viabilidade comercial da cultura de couve.

Azevedo et al. (2012) identificaram quantidades que variavam de 8,33 a 20,58 em relação ao total de folhas e de 0,50 a 4,42 referentes às folhas comestíveis na produção de couve convencional. Isso demonstra que os números totais de folhas obtidos neste estudo estão alinhados com a média dos vários genótipos. No entanto, a quantidade de folhas comestíveis registrada superou a observada entre os diferentes genótipos na produção convencional. Portanto, biofertilização atrelada ao Esterco de Aves demonstrou ser eficaz no crescimento das folhas em tamanho.

4.5 Peso Médio das Folhas Comestíveis (g/folha)

 

Toda diferença entre médias igual ou superior a 4,01 é significativa a 5% de probabilidade.

 

Tabela 9 Análise de variância dos dados de Peso Médio das Folhas Comestíveis em g/folha.

FV

Gl

SQ

QM

F

Blocos

3

15,5382

5,1794

1,63 (ns)

Tratos

4

238,3761

54,5940

18,77**

Resíduo

12

38,0921

3,1743

 

Total

19

 

 

 

Fonte: Dados do autor, 2025

**: Os tratamentos se diferem significativamente entre si ao nível de 5 e 1% de probabilidade.

Coeficiente Variável: 16,27%. Desvio Padrão: 10,953 g/planta. S = √QMR = 1,7816.

 

A ANOVA para o peso médio das folhas comestíveis indicou diferenças significativas entre os tratamentos (F = 18,77, p < 0,01), com o tratamento T5 (Biofertilizante Caseiro + Esterco Bovino + Esterco de Aves) mostrando o maior peso médio das folhas comestíveis (17,47 g/folha), seguido por T4 (10,36 g/folha). O tratamento T5 foi significativamente superior aos demais, corroborando a hipótese de que a combinação de biofertilizantes com esterco resulta em um maior desenvolvimento das folhas, o que impacta diretamente na produção de biomassa comestível.

 

Tabela 10 Médias do peso das folhas comestíveis (g/folha) nos tratos, analisadas pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Tratos

 

 

 

T1

7,13

 

b

T2

9,87

 

b

T3

9,94

 

b

T4

10,36

 

b

T5

17,47

a

 

Fonte: Dados do autor, 2025

Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si.

 

No que concerne o peso das folhas, houve uma diferença estatística entre o Tratamento 5 e os demais Tratamentos, indicando que o uso de Biofertilizante Caseiro, em associação ao Esterco de Aves propicia o aumento da Produção de folhas, uma vez que é rico em nitrogênio, atuando no desenvolvimento vegetativo, favorecendo o crescimento das folhas, o que pode resultar em um aumento do tamanho e, consequentemente, do peso das folhas. Além de melhorar a saúde da planta, tornando-a mais resistente a doenças e pragas. Levando a um crescimento mais robusto, com folhas mais volumosas e pesadas.

Na avaliação do peso de folhas comestíveis, o esterco bovino + esterco aves diferiu muito do restante dos Tratamentos, e os Tratamentos com biofertilizante caseiro sem associação, biofertilizante comercial sem associação, e biofertilizante caseiro + biofertilizante comercial, não apresentaram diferença estatística significativa, demonstrando que neste quesito, é indiferente o tipo de biofertilizante utilizado.

Na pesquisa elaborada por Santos (2024), foi notado que a taxa de crescimento das plantas sem fertilizante era menor e irregular. As folhas e o tronco dessas plantas eram menores em comparação às que receberam adubação. As plantas tratadas com biofertilizante mostraram um desenvolvimento semelhante ao das mudas que foram cultivadas com fertilizante mineral. A quantidade de folhas e a espessura do caule eram praticamente iguais, demonstrando uniformidade no tamanho das folhas e na tonalidade e dimensão das plantas. A única diferença foi que uma das plantas fertilizadas com biofertilizante não apresentou o mesmo resultado. O crescimento da couve, sem o uso de fertilizante, foi ligeiro entre 30 e 45 dias, chegando a ser quase imperceptível.

Esta pesquisa diferiu em resultados quando comparado à pesquisa realizada por Santos (2024), conforme descrito acima. Muitos fatores podem ter influenciado na diferença de resultados obtidos. Pode-se citar como resultado semelhante, a pesquisa realizada por Nascimento (2016), onde foi comparada produção de couve com o uso de 2 tipos de Biofertilizantes – Esterco Bovino e Esterco de Aves –, onde o resultado demonstrou que o Tratamento com Esterco de Aves proporcionou maior crescimento das plantas em comparação com a aplicação de Esterco Bovino. Neste estudo, o uso de Esterco de Aves foi feito em associação com Esterco Bovino, e a produção de couve neste Tratamento apresentou uma diferença, visual, significativa em relação aos outros Tratamentos.

5 CONCLUSÃO

 

Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a associação do biofertilizante caseiro com esterco bovino e esterco de aves mostrou-se uma alternativa viável para o cultivo da couve, proporcionando ganhos significativos em produtividade de maneira sustentável e com baixo custo. O tratamento T5 destacou-se em todas as variáveis analisadas, evidenciando a eficácia dessa combinação na melhoria do crescimento e desenvolvimento da cultura.

A supervisão constante, incluindo rega diária e controle fitossanitário contra pragas como pulgões e insetos, contribui para uma produção eficiente em média escala. Além disso, a disponibilidade de nutrientes promovida pela combinação de biofertilizantes e esterco favorece a estrutura do solo, otimizando a absorção de água e nutrientes pelas plantas.

Do ponto de vista econômico e ambiental, essa abordagem se apresenta como uma estratégia promissora, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos e promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis. O manejo adequado dos parâmetros nutricionais, aliado ao uso de adubação orgânica, não apenas melhora o desempenho agronômico da couve, mas também reforça a viabilidade dessa técnica para sistemas de produção ecológicos.

Portanto, a utilização de biofertilizantes associados ao esterco bovino e de aves configura-se como uma alternativa eficiente para a produção de hortaliças, trazendo benefícios tanto para o produtor quanto para o meio ambiente. Essa prática representa uma solução sustentável para a agricultura, contribuindo para a melhoria da qualidade do solo, aumento da produtividade e redução do impacto ambiental.

 

 

 

6 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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